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09 · Adriano da Nóbrega

Deu medalha a um PM preso, acusado de homicídio. E empregou a família dele.

Ele

Em 2005, Flávio propôs a Medalha Tiradentes, honraria da Assembleia do Rio, para o PM Adriano da Nóbrega. Adriano estava preso, acusado de homicídio, e recebeu a medalha dentro do batalhão prisional.

Dois anos antes, Flávio já tinha feito uma moção de louvor a ele, pela “dedicação, brilhantismo e galhardia”.

A mãe e a ex-mulher de Adriano trabalharam no gabinete de Flávio: a ex-mulher de 2007 a 2018, a mãe de 2016 a 2018.

Projeto de Resolução 1067/2005 da Assembleia do Rio. Ementa: concede a Medalha Tiradentes e respectivo diploma ao 1º Tenente PM Adriano Magalhães da Nóbrega. Autor: Deputado Flávio Bolsonaro. Assinado em 15 de junho de 2005.
O projeto da medalha, com Flávio como autor. Documento oficial da Assembleia do Rio. Ver original

Você

Pra trabalhar no serviço público, você faz concurso. A mãe e a ex-mulher de Adriano foram nomeadas a pedido de Fabrício Queiroz, segundo a defesa do próprio Queiroz.

Segundo o MP, as duas receberam cerca de R$ 1 milhão em salários públicos e repassaram cerca de R$ 203 mil a Queiroz.

Quem era Adriano

Nunca teve condenação definitiva. Condenado pelo júri em 2005 pela morte de um guardador de carros, teve a sentença anulada e foi absolvido em 2007.

Anos depois, foi expulso da PM por trabalhar como segurança de um contraventor do jogo do bicho, em processo administrativo.

Em 2019, o MP do Rio o denunciou como um dos “principais líderes” da milícia de Rio das Pedras e Muzema, acusada de grilagem de terras e extorsão. Fugiu e morreu numa operação policial na Bahia, em 2020, sem ser julgado.

O MP o apontou como mandante do assassinato do contraventor Marcelo Diotti, em 2018. Os executores foram condenados, e o júri reconheceu como motivo uma “vingança de Adriano”.

O outro lado

Flávio não é acusado de participar de nenhum crime atribuído a Adriano. As homenagens são de 2003 e 2005; a denúncia por milícia, de 2019.

Flávio diz que, na época, Adriano “era um policial reconhecido” e que não pode ser responsabilizado “pelo que a pessoa se transforma” anos depois. Jair Bolsonaro disse, em 2020, que foi ele quem pediu a homenagem: “Ele era um herói.”

O caso da rachadinha, que incluía a mãe e a ex-mulher, foi arquivado em 2022 sem julgamento do mérito. Em 2026, o MP denunciou a mãe de Adriano por lavagem de dinheiro; Flávio não é citado.

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Fontes

  1. Ex-PM estava preso quando foi homenageado por Flávio (Jornal do Brasil, 2019)
  2. Bolsonaro diz que Adriano “era herói” quando foi homenageado (Poder360, 15/02/2020)
  3. Flávio empregou mãe e mulher de líder de milícia (Congresso em Foco, 22/01/2019)
  4. Queiroz confirma indicação de mãe e esposa de policial (Jornal do Comércio, 22/01/2019)
  5. MP: família de miliciano repassou 20% dos salários (O Globo, via Exame, 19/12/2019)
  6. Moção 2650/2003, de Flávio Bolsonaro (Alerj)
  7. Projeto de Resolução 1067/2005 — Medalha Tiradentes (Alerj)
  8. Ex-PM ligado a Flávio recebeu medalha na cadeia (Veja, 25/01/2019)
  9. Denúncia da Operação Intocáveis (MP-RJ, 2019)
  10. Grupo do Escritório do Crime é denunciado; Adriano apontado como mandante (MP-RJ, 30/06/2020)
  11. Irmãos do Escritório do Crime são condenados pela morte de Diotti (g1, 29/05/2024)
  12. Veja o que é fato e o que é fake na entrevista de Flávio (g1, 28/08/2026)
  13. Ex-PM investigado é morto na Bahia (Agência Brasil, 09/02/2020)
  14. Flávio justifica medalha a Adriano no Jornal Nacional (Itatiaia, 28/08/2026)
  15. Ex-assessora de Flávio é denunciada por lavagem (Metrópoles, 19/03/2026)
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